quarta-feira, 30 de junho de 2010

E não precisa abaixar a tampa do vaso.

É bem verdade, essa história de permissão. Perguntei se queria entrar e ofereci um café apenas por educação e agora você está aqui, folheado algum dos meus livros, escutando um dos meus cds que você mesmo colocou no rádio pra tocar. Daqui a pouco você vai sentar no sofá com as pernas abertas, as suas coxas apertadas dentro de um bermudão qualquer, e a sua barriga descansará em cima da braguilha e os seus chinelos estarão no tapete e daqui a pouco o cachorro vai pegar e levar para qualquer canto da casa, como num filme. Você irá abrir uma lata de cerveja e arrotar na minha frente e agora você nem pede mais desculpas, ora essa, santa intimidade e eu não vou falar nada, porque eu nunca soube arrotar e você foi o único que sentou ao meu lado e me ensinou mesmo que achasse isso feio e tudo bem que é feio, esqueci minhas calcinhas penduradas no boxe ontem pela manhã e mesmo assim, acordamos e transamos e tinha o café, o nosso café, o café que você fez, e tinha tudo e tudo isso só porque um dia deixei você entrar sem pedir e você acabou ficando e ficando e tudo bem, é assim mesmo.

domingo, 27 de junho de 2010

A garota que ganhava livros...

... havia ganhado um livro. Dele. E ele não era qualquer garoto. Ele era aquele garoto.
Foi aquele garoto quem escreveu o livro. Disse timidamente que havia escrito um e ela claro, pediu.
E ela sempre pedia coisas. Ele trouxe o livro, sem dedicatória alguma. Que triste - pensou ela, assim não é vantagem nenhuma conhecer um escritor!
E o livro permaneceu guardado em sua estante durante meses, junto com outros livros, outros livros que ela achava que jamais conseguiria ler.
Havia tantos livros da escola e tantas coisas pra ler!
Era uma tarde fria de começo de férias. Daquelas tardes existentes para ficar debaixo do cobertor bebericando uma bebida quente e muito doce. Não havia nada para fazer. Não havia nada que parecesse melhorar aquele mal humorzinho.
Sentia-se sozinha, repassou mentalmente todos os seus projetos para férias e decidiu começar naquele instante.
Foi até a estante e pegou o livro. De bruços, debaixo do cobertor, ela lia atentamente. Aquele livro, o livro dele.
Supreendendo-se a cada linha chegou ao final extasiada. Há muito que não lia algo tão bom e emocionante.
Era emocionante porque aquelas linhas guardavam muito talento. Essa parte a cativava por demais.
Ao chegar no final do livro, resolveu ler uma segunda vez. E dessa vez, repassar cada momento que havia achado mais legal, fazendo anotações.
Brincou de ser professora, brincou de ler a redação de um aluno. Esse é um dos mais inteligentes - pensou. E ele era, era o mais inteligente.
Morava numa biblioteca e sabia todos os assuntos, sempre tinha um livro pra recomendar. Sempre tinha um livro pra emprestar.
E sempre tinha os brinquedos mais legais que ele levava no dia do brinquedo.
Eram colegas de classe, daqueles que senta ao teu lado, na quinta fileira, na segunda carteira da esquerda pra direita.
Explica a lição e divide o lanche. E traduz o próprio livro e ainda lê em voz alta se você pedir. Te faz acreditar que a vida é poesia.
E ela gostava de pensar que isso só acontecia porque era ela. Ela não queria ter que pedir nada e tentava não pedir nunca.
Quando ele não estava, um vazio tomava conta da sala de aula. A garota então, escutava alguém entrar na sala e olhava em direção a porta. E nunca era ele.
Naquele dia, o garoto não adivinhou que ela estava lendo o livro que ele mesmo escreveu. Perdeu o jogo de adivinhação. E olha que ele estava indo tão bem!
No livro tinha a história de um mago aprendiz que encontrava um demônio. uma história dentre tantas outras histórias que a garota ainda esperava escutar dele.
Ela não era uma dessas garotas. Ela era aquela garota.
E naquele dia aquela garota escreveu em seu diário sobre o livro que aquele garoto havia escrito.
Porque ela leu aquele livro naquele dia e parecia que tudo ia ficar bem.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

De alguma central, uma ligação a cobrar chama.

Andar por ali sempre me causa alguma depressão. Despedidas, um tempo fora de casa, um tempo sem dinheiro algum.
Me encosto ao lado da janela e tento praticar alguma reflexão. É uma grande janela e eu não queria estar indo para lá.
Estou levando pensamentos comigo, levo sorrisos, frases doces, uma nova pontada pelo centro de minhas costas aproxima-se.
Eu só queria te deixado alguém com saudades, alguém com saudades do lado de lá. Alguém que ainda espere a minha volta.
Alguém que tenha algo para me dizer. Alguém na qual, eu tenha algo para dizer.
Alguém que me pergunte um - E aí, foi tudo bem?

Mas não, nunca tem ninguém. Por isso, sempre acabo dormindo mal em toda e qualquer viagem.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mais babadores!

Gente, vem aí mais um sobrinho (a) pra mim!

Agora é a vez da Laurinha.

Adoro as amigas que me dão sobrinhos!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Aproveite o dia.


Depois que parei de trabalhar em buffet infantil, demorei um pouco, mas voltei a gostar de crianças.
Ontem eu estava no metrô, sentada no banco perto do assento reservado.
Eu estava estudando em minhas últimas chances de estudar para a prova de estudos clássicos, que eu teria naquela noite.
Eu estava escrevendo sobre os Topóis do Carpe Diem.

Havia um menininho sentado no colo de uma senhora. Procurei não desviar minha atenção do caderno. Eu precisava estudar, eu não sabia as duas primeiras questões que poderiam cair na prova!
Notei que o menino começou a brincar com o meu chaveiro. Ignorei.
Depois de um tempo divagando com a mãe sobre o meu chaveiro, a mãe então perguntou:

- Você perguntou para a tia se você pode brincar com o chaveiro dela?

Eu falei que podia. E continuei escrevendo. Eu precisava mesmo estudar, não daria tempo de fazer isso antes de chegar na faculdade.
Mas o menino foi além:

- Tia, posso desenhar no seu caderno?

Foi um momento canceriano. Eu dei meu caderno e a minha lapiseira na mão daquele menino sedutorzinho.
Eu tinha que estudar e...não ia mais estudar. Eu precisava daquele caderno, daquela lapiseira e agora estava com ele.
Fiquei contemplando o desenho que ele fazia e pensando "Que merda! Eu odeio ser assim, vou bombar na prova porque não me organizei para ir bem e blá blá blá...".
Diogo, 3 anos, faz desenhos na vertical com o caderno em horizontal. Segundo ele, era um "Solzinho".
E a mãe ficou louca quando, depois, eu dei um lápis amarelo para ele colorir e ele resolveu desenhar outro.
Tentou tirar o caderno da mão do menino e ele ficou muito bravo.

- Você é aries?

Não, ele é escorpião - a mãe esclareceu.
Ah sim, claro. Foi um dia escorpião mesmo.
A menina que estava sentada ao meu lado pontuou sobre o mundo escorpião "aaaah, escorpião....eles nunca gostam de nada, mas quando gostam....".
Se esse menino gostar do meu caderno, fodeu. "E eles são super ciumentos" ela completou. Se esse menino gostar do meu caderno e não quiser me devolver eu vou me foder muito!
Já aconteceu de crianças pegarem minhas coisas, não quererem devolver e eu canceriana maldita, acabar cedendo pra ver um sorriso.
Mas eu precisava daquele caderno, eu tinha que estudar! Toda minha matéria do ano, estava lá!

- Filho, nós já vamos descer. Devolve o seu caderno pra tia?

E ele devolveu e sorriu. Que lindo, que mágico, quero ter um filho!
Mas cheguei na faculdade sem saber sobre o escudo do Arquíloco e a importância dos Topois do Carpe Diem.
E o desfecho não vou contar. É coisa minha.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Stray Cat II

Todo dia ao acordar, a primeira imagem que percebo com nitidez, é ela.
Sentada no oitavo degrau, debaixo pra cima, da escada em caracol, lá está ela.
Lá está ela, contemplando o dia que aparece do outro lado da janela.
Esboço um bom dia e não escuto uma resposta dela.

Minha adorável putinha
Interesseira e vagabunda
Eu preparo o teu jantar

Você nunca responde quando eu te chamo
Você nem sabe se eu te amo
Mas você não dorme enquanto eu não voltar.

E não adianta ligar
Porque eu não volto mais cedo do bar

*Para Dóris, com carinho.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Enquanto a guitarra chora.

Delicadamente, gentilmente, suavemente, divido o quarto com duas meninas. Meninas mesmo. Daquelas que se vestem igual e tem sempre algo para conversar antes de dormir.
É um hotel. Lembrei dos personagens marginais que moram em hoteis. Não hoteis como este, mas por ora, quis pensar que sim.
Quis pensar na minha pessoa totalmente sozinha, escrevendo compulsivamente e morando num quarto de hotel.
Mas não, isso já existe. Tem o Chinaski, tem o Bandini, tem o Dimi.
Tem o café, tem o chuveiro, tem a roupa de cama, tem uma mesinha para escrever e um frigobar da qual não comprarei nada.
Dia dos namorados. Essa data, bem como o dia das mães e o dia dos pais e qualquer outra data convencional, não representa nada para mim.
A diferença é que se um dia eu tiver dinheiro, no dia dos pais e das mães, tem pessoas para eu presentear.
Fim de um dia na qual me encontro cansada. Tem uma festa logo mais. Uma festa na qual a todo momento vou me perguntar "isso está mesmo acontecendo ou eu que bebi demais?".
Talvez seja a falta da bebida e aí, dou mais um gole na cerveja.
Passando os canais da Tv, noto um senhorzinho conhecido. B.B. King. Para minha surpresa, um documentário sobre Blues na Tv.
E essa é a grande promessa de companhia e diversão para esta noite. No dia dos namorados, dormirei com o B.B. King.
Mas vou tomar um banho. O chuveiro do hotel, tem três tipos de jatos diferentes. Eu poderia morar debaixo daquele chuveiro.
Entendi a frase: "Vou preparar o banho". A água demora para temperar. Tem que ligar as duas torneiras, senão você congela ou você queima os braços, como eu fiz em uma das minhas tentativas de desligar uma torneira por vez.
A Tv está no último volume e lá do chuveiro consigo escutar vozes e risadas e música e penso que até parece que tem alguém ali, me sinto menos sozinha.
Eu não queria sair de debaixo deste chuveiro, nunca! O mundo lá fora, parece perigoso demais pra mim.
Mas no dia seguinte, estarei mais descansada, visitarei uma feirinha que me fará muito bem. Depois vou ler sobre tragédia grega, deitada na cama, sentindo o sol bater em meu rosto.
E elas estarão conversando sobre um assunto de meninas qualquer, e uma delas estará segurando um incenso bom para circular energia.
E os beatles estarão tocando suas músicas mais melancólicas, no iphone em cima da cama ao lado.
Mas sabe, aquele papel higiênico e aquelas toalhas...não são tão macios.
Tudo muito bonito, tudo muito impessoal.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Novas habitações.

Tinha poucos amigos. E ela os guardava com todo o carinho dentro da gaveta do quarto.
Qual o nome dele - eu perguntava - Gustavo - ela dizia - e por que o Gustavo mora lá? - Por causa da polícia.
Ao ser questionada sobre o Gustavo, ela mencionava o gorro vermelho que ele usava. - E qual o tamanho dele? - aí então ela esticava seus bracinhos diante do corpo.
E eu podia concluir: é do tamanho dela. Nunca perguntei o tamanho da gaveta em que o Gustavo mora. Uma vez ela falou que tinha a Lola também. Mas não lembro se morava lá por causa da polícia.
Um dia levei balas pra ela, numa tentativa de ser aceita na turma. Mas nunca fui convidada para morar na gaveta.
Cresceu, ganhou novos amigos e aquela gaveta tornou-se pequena.
"Vou guardar todos meus amigos num potinho e levá-los comigo", sempre que quiser, eu completaria.
Mas...alguns amigos não queriam dividir o mesmo potinho. "Tá, coloco vocês em potes separados".
Tá bom. Os amigos ficavam em potes, observando-as de longe. Fizera mais amigos do que jamais pudera imaginar.
Era um presente mais que perfeito. Pela tarde ela deitava na cama, para assistir um filme bobo e infantil, que ela já havia assistido várias vezes.
Depois ficava sozinha em um canto vazio, até alguém vir e perguntar, o que você está fazendo aí?.
Eram todos amigos imaginários.
Eu não existo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sobre as últimas bolachas do pacote de bolacha sem recheio.

As vezes acontece umas coisas comigo naquela faculdade que fazem eu me questionar muito sobre o lugar onde estou.
Hoje me lembrei da época do colégio. Tinha aquelas garotas que achavam que todos falavam delas, que todos tinham inveja delas.
Normalmente elas juntavam-se com mais uma ou outra loirinha tingida e aí, vinham tirar satisfação sobre qualquer coisa que elas achavam que nós, mortais havíamos falado delas.
Num colégio medíocre e pseudoburgues como o meu, isso era muito normal, inclusive, as funcionárias faziam isso também.
Quando acontecia isso, rolava um burburinho do tipo "fulana vai bater em ciclana".
Não lembro como, mas eu sempre era aquela que tinha que dar satisfação. Sempre alguma mina babaca vinha tirar satisfação comigo.
Eu não dava satisfação. Sempre fazia a louca. O que? Eu? magina....jamais falaria isso de você, minha flor. Segurando a risada, claro.
Sempre achei esse mundo feminino imbecil, eu me divertia. Respondia de um jeito estúpido e foda-se.
Sempre fui até o fim, eu comprava a palhaçada toda. Isso me divertia.
Mas nunca ninguém tentou bater. Tentasse, pra ver.
Minha mãe sempre falou que se alguém tentasse me bater, eu podia bater também. Era isso que eu sabia.
Das poucas vezes que me enfiaram em alguma confusão no final das contas, a outra mina arregava.
No fundo, sempre pensei como seria divertido alguma mina embaixo do meu corpo sendo socada por mim.
No último ano de colégio, quase tive a chance. Uma menina da 8ªsérie, escutou eu falando que ela era uma criança.
Ela tentou me encurralar no banheiro e no dia seguinte, chamou uma penca de amiga pra se defender. Muita gente se juntou em volta, no pátio.
Seria ridiculo, eu, do 3ºmédio virando um soco numa pirralha da 8ªa série. Mas aquela mina sempre encheu o saco. Eu queria abrir uma excessão.
Eu dei uma resposta atravessada e ela arregou. E eu terminei o colégio sem ter espancado alguém.

Lembrei disso porque hoje só porque eu estava com a mão na boca, durante o momento da apresentação de um trabalho, um cara da minha classe veio me perguntar se eu tinha algum problema com a pessoa dele. Algo parecido com o que me acontecia na época do colégio.
A tal pessoa a mim é tão insignificante, que eu nem sei o nome dele. No minimo, eu devia estar esboçando alguma indiferença na hora em que ele estava falando, ou sei lá o que.
Eu achei tão babaca que não tinha muito o que responder. Talvez se ele se concentrasse um pouco mais no próprio trabalho do que nas minhas reações, quem sabe, a apresentação não fosse um pouco mais interessante.
Mas não dei essa sugestão. Na verdade, me deu um pouco de preguiça deste assuntinho todo. Eu sinceramente, tenho mais o que fazer do que ficar me preocupando com a opinião das pessoas que nem a aula assiste.

Tô cagando e andando pra não fazer montinho.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A água ainda deve estar quente.

Foi o jeito que eu dei pra achar um pouco de poesia na solidão e na dor.
Uma vez perguntaram a ele o que ele fazia quando algo acabava e então ele disse "Eu tranformo". E eu guardei com tanto carinho aquela informação.
Arquivei junto com aquele ensinamento - que aprendi com ele também - sobre o "conhecimento funcionar com sobreposição" que eu inutilmente passei para frente na minha aula de linguística.
Desde então venho tentando sobrepôr e tranformar, mas as vezes me demoro.
As vezes só consigo pensar ao sentir a água quente do chuveiro escorrendo em meus cabelos curtos, batendo em minha nuca.
E eu sinto o cheiro do novo shampoo e busco em minha memória, alguma lembrança já esquecida.
Olho com alguma mágoa para as calcinhas que eu pendurei numa torneira que um dia já fez jorrar água em uma banheira.
Calcinhas que já viram melhores dias. Calcinhas que preciso pendurar no meu varal. Não há mais calcinhas em minhas gavetas, acho que é o momento de comprar calcinhas novas.
Eu peguei creme demais. Daqueles cremes de pote que quando a gente passa, escorre pelo rosto e ainda assim, achamos que o nosso cabelo estará salvo.
Eu queria um cachorro amarelo e sorridente que me esperasse melancolicamente, com a cabeça entre as patas, abaixado na porta, enquanto eu não chego.
Eu queria um gato vagabundo como eu, só meu, que olhasse pra mim e pensasse "Essa é a minha humana, é a humana que eu escolhi. e esse é o meu cachorro, e essa a minha cama, e esse meu sofá e esse meu canto
e esssa é a minha cadeira, mas a minha humana acha que ela é dona de tudo isso só porque ela comprou". E ele saberá que nós somos donos apenas do que nós escolhemos e talvez apenas ainda, do que nos escolhe.
Eu ainda penso sobre a morte que aguça a minha curiosidade. A morte do lado de lá. Do lado de cá eu choro, do lado de lá eu nem sei, eu nem sei que já morri.
Lá de longe vem uma música que está tocando no rádio, algum heavy metal. Parece que tem alguém.
Eu já percebi como troco de assunto a cada linha. Eu posso estar feliz, mas a solidão estará sempre aqui.
Ela apareceu na primeira linha e na antepenúltima, enquanto tranformo o frio no calor, numa prosa sobre a dor.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Stray cat

Tem dias em que eu torço para que tudo acabe logo.
A única coisa que eu quero é que hoje seja melhor que ontem.
Eu só quero que hoje termine bem para que eu pense que o dia de alguma forma melhorou.
Eu tenho algumas moedas na carteira e tudo bem, porque meu pescoço mantém minha cabeça presa e o meu olhar continua seguindo para a frente.
E tudo bem se eu estou com fome e só vou comer daqui a quatro horas, tá tudo bem.
Eu vou acender o meu cigarro e me sentir menos sozinha, eu vou parecer distraída agora e ninguém vai me notar.
Gosto quando a fumaça sai distraidamente sem esforço algum fazendo um desenho no ar e dispersando-se no vento.
Eu fumo um, eu fumo dois, eu fumo dois e três em uns dez minutos. E o vento me bate na cara e sinto uma nostalgia e eu só queria que tudo ficasse bem.
Eu só queria conseguir concluir todas as minhas tarefas, eu só queria me sentir menos insegura, eu só queria uma caralhada de coisas.
E em dez minutos que estou aqui, fingindo pensamentos vazios, duas pessoas já vieram me pedir um isqueiro emprestado.
Que tipo de fumante vocês são, que não tem um isqueiro? Sou fumante de dias pobres e carrego comigo um isqueiro.
Sempre quando acendo o cigarro jogo o isqueiro na mochila e depois ele some. As vezes tenho vontade de sumir junto com ele.
Aprendi a baforar o gás, aprendi a bater a cinza de forma menos ansiosa. Aprendi que o café me traz o mesmo gosto do cigarro.
E eu sempre quero escovar os dentes depois do cigarro. Mas hoje não tem escova, hoje não tem pasta de dente. Mas tá tudo bem.
Eu comi aquela pizza de barraquinha, aquele suco barato e aquele chocolate com gosto de infância e parecia que ia ficar tudo bem.
Alguém vai me dar uma carona. Talvez esse alguém, tente abusar de mim durante essa carona.
Mas vai ficar tudo bem.
Aquele dia eu te fiz prometer que não iria me sequestrar. E você disse que não o faria, nem roubaria meus rins.
Talvez eu fosse só mais um cigarro, daqueles que a gente fuma delicadamente e mesmo assim acaba quando chega no filtro.
Sequestrasse, levasse um rim, mas deixasse esse pedaço do meu coração que ficou com você.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Você já pensou que ia morrer?

Eu já.

A última vez foi no bar. A banda estava tocando Great Balls Of Fire e estava rolando um show de pirofagia.

A estrela do show tacou fogo na geladeira. Eu agarrei a minha bolsa, pra facilitar o reconhecimento do corpo.

Que deprê! Nunca tenho dinheiro pra vir aqui e quando eu venho, eu morro!

Se eu morrer, vou pegar meu dinheiro de volta.

Pense pelo lado positivo. Pelo menos, a música era do Jerry Lee Lewis.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Quando acordo ás sete da matina;

Estou com dor de cabeça. Meu quarto estava cheio de pernilongos, levei duas picadas na testa e resolvi ligar o ventilador para dispersar. Está frio, estou com dor de cabeça.
Estou usando uma touca colorida numa tentativa quase imbecil de ver essa dor de cabeça passar. Já tomei uma aspirina, quero dormir e acordar num lindo dia, num lindo dia em que ele vai ligar e falar:
- viu como eu não sumi?
E eu vou dizer:
- Achei que você não fosse ligar.
E ele vai responder:
- Eu não te liguei antes para não parecer fácil!
E eu vou dizer:
- Você não é fácil. Você é legal!
E ai eu vou dizer que bom que ele ligou e dizer que adoro surpresas e vamos conversar e dar risada.
E talvez ele diga que foi legal aquele dia e eu vou dizer que ele me fez muito bem.
E aí vamos sair denovo e conversar e dar risada, e sair denovo e conversar e dar risada, e denovo e conversar e dar risada.
E talvez eu tenha uma piada nova.
Não são expectativas. São apenas as cenas seguintes que deveriam vir depois de eu ter me mostrado uma garota legal.
Sabe, as vezes sou legal. Mas não gosto de assumir isso, para não parecer prepotente. Então sou quase legal ou legalzinha.
Ontem me falaram que eu faço muito sucesso com os caras. Mentira. Mas aí quem falou argumentou: Tem vários deles querendo você aqui e no seu formspring!
Ok, troco todos eles por esse, e ainda dou em troca também um maço de cigarros. Não precisa de tantos caras, só de um interessante, doce e quente já tá incrível para mim.
Eu queria aquele cara. Porque ele não é qualquer cara. Você sabe, ele não é um cara que se encontra em qualquer mesa de boteco.
Porque tinha eu e tinha você. Porque o seu cabelo tem um cheiro bom e eu sei que não é só um shampoo.
Dessa vez eu mereço, vai.

E a dor de cabeça passou. Escuto meu travesseiro me chamar.

domingo, 30 de maio de 2010

Saxofonista: a missão.

Achei que a história dele merecia um post porque achei engraçada.

Vê só:

A primeira vez em que eu fui naquele bar, eu queria o Saxofonista. Me encostei junto ao balcão depois do show e fiquei esperando ele se aproximar pra eu aplicar a estratégia nº1.
Só que enquanto eu estava fazendo isso, outro cara (baixista) apareceu e me agarrou. E aí, eu já tinha que ir embora, estava de carona.
Que merda - pensei - eu queria o Saxofonista mas o baixista me agarrou e me fez perder o meu tempo! Amarguei uma derrota.
Eis que, não lembro porque, o baterista veio falar comigo. Eu contei o ocorrido. E o baterista me puxou pela mão e me levou pra falar com o Saxofonista.

- Saxofonista, essa daqui é a Mayra, ela quer ficar com você!

Eu fiquei rosa fúcsia neon e não tinha mais pra onde ir. Contei exatamente o parágrafo acima. Ele perguntou se eu tinha aprendido a dançar o rockabilly. Nós dançamos e ele me beijou.
Mas eu tinha que ir embora, estava de carona. Ele falou que nós podíamos ir pro carro dele.
Claro que eu disse que não. E achei uma pena, porque não deu tempo pra ele sacar que tipo de mina eu sou. Dei o número do meu celular, ele nunca ligou.

Quem ligou no dia seguinte foi o baterista. Fiz um favor a ele em agradecimento e ficamos amiguinhos.
No meio da semana, o baixista mandou mensagem mas não retornei. Ele não tinha se mostrado interessante.

Os meses passaram-se. E eu fiquei mais amiguinha do baterista e passei a considerar a possibilidade ficar com ele.
Mas não ficamos, por motivos que eu desconheço. Tive só uma oportunidade, perdi e nunca mais teve outra.
Agora ele deve estar namorando e eu o vejo toda semana, pois coicidentemente, sou obrigada a frequentar um lugar na qual ele trabalha.
No dia do aniversário fui deixar um scrap e o Saxofonista estava no orkut dele. Reconheci. Nem lembrava a cara dele...

Ontem eu estava no bar. Tinha um cara muito mala querendo dançar o tempo todo comigo e ele não sabia dançar, aquilo me irritou um pouco e eu resolvi sentar.
Reparando no ambiente, achei um cara que parecia interessante. Comecei a repará-lo. Ele era vizinho da minha mesa e ele era amigo dos caras da banda, que coicidentemente, tocaram no dia em que eu conheci.
Como dançar, me estava meio fora de questão, passei boa parte do tempo observando aquele cara. Vi ele dançando. Ele sabia dançar, somando isso com a camiseta do Elvis estilosa que ele tinha....não tive dúvidas, é frequentador desse rolê!
Eis que em algum momento insano eu penso - socorro, acho que é o saxofonista!!!! Meeeeerda, ele deve ter uma péssima impressão de mim! e ele é o único interessante! E agora?
Amarguei outra derrota e fui pra pista para um momento de catarse. O mala me tirou pra dançar. Eu estava na frente do Saxofonista. Percebi que ele estava acompanhando a cena.
O mala tentou ficar comigo, acho que pela 3ª vez e eu não ia ficar com ele, nem se ele tivesse duas picas que tocassem musiquinha, comecei a falar que não, que eu era chata e tals. Eu dando um fora, imagina como sou ruim nisso!
O Saxofonista viu e deu risada. Tive certeza que eu ganhei um ponto aí. Ser seletiva tem algo de bom.
Quando o mala tentou dançar comigo e me pegar por trás, foi a gota d'agua. Tá tudo dando errado!
A cerveja é cara. Fui fumar. O lugar de fumar é uma gaiola. E quem estava lá? Tan dan! Saxofonista!

Já pensou que divertido, se ele não lembrasse de mim e eu ficasse com ele denovo? Afinal de contas, ele não era tão ruim, só não havia dado tempo de aplicar a estratégia número 1!
Resolvi aplicar a estratégia número 1 naquele momento.
Umas pessoas dentro da gaiola resolveram conversar e ele tava na conversa. Oba. Rolou um...qual seu nome? Todo mundo respondeu menos ele.
Eu falei o meu e dei informações que eu havia dado quando fiquei com ele. Ele não se manifestou, oba, ele não lembrava de mim.
Aquelas pessoas foram embora e ficou só ele na gaiola. OBA! Perfeito. Perguntei o nome dele e ele disse. Oh my god! Era o Saxofonista mesmo!
Fiquei afim do mesmo cara duas vezes! Incrível Mayra. Assim, você vai longe.
Ao falar o nome eu não acreditei e falei se ele não lembrava de mim mesmo. Ele disse que não. ótimo e eu disse isso e ele ficou constrangido por não lembrar e eu disse que era melhor assim.
Comecei a aplicar a estratégia número 1. Eu já havia fumado três cigarros nesse tempo. Era hora de parar. Parecia ter funcionado. Disse que estava indo embora. Ele me puxou e me beijou.
Estratégia número 1 aplicada com segurança, missão concluída com êxito.

Ele é capricorniano, isso dispensa explicações sobre como ele é, né?
Nessa eu fui eu mesma, gostei de mim nessa missão. Trabalhei a questão da segurança.
Passo número 2, ele tá com o meu contato. Quem sabe ele não resolve permanecer?

Talvez ele não apareça nunca mais, tudo bem, fazer o quê. E até agora ele não sabe como eu já o conhecia.
E eu nunca gostei tanto dessa vida de anonimato.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

E eu finjo que eu acredito...

...no mundo. No senso de coletividade das pessoas que nele habitam.

Sempre disseram que eu sou muito seletiva, que eu escolho muito.
Verdade. Eu escolho muito mesmo e isso não é uma questão pra mim. Eu escolho muito porque eu nunca acreditei no senso de coletividade das pessoas.
Os individuos não estão preparados para conviver em coletivo. Há aqueles que tentam. Que bom, porque dentre tantas pessoas, posso escolher alguns alguéns.
Pra mim coletividade significa colaboração, cooperação e divisão. Pras outras pessoas, isto não significa nada.
A todo momento penso nisso. Quase sempre opto por um caminho mais individual porque não acredito na unanimidade.
É dificil se relacionar de qualquer forma com alguém que não consiga enxergar além do próprio umbigo.
Acho que existe um coletivo e todos nós temos fragilidades. A todo momento penso ter a impressão de que tenho que ser forte o tempo todo.
E eu não sou forte o tempo todo. Pode ser que um dia eu não entenda o texto que eu li. Pode ser que um dia eu acorde doente.
E tudo bem se o resto das pessoas souberem a parte que lhes cabem. Porque eu sou um individuo num coletivo, se o coletivo tem consciência do que é um coletivo, oras, esse coletivo é capaz de sobrepor uma unica fragilidade.
Mas quando um coletivo todo é frágil...é disso que eu tenho medo. Por isso que eu escolho.
Mesmo que eu pareça forte, eu quero saber que existe sim, espaço para a minha fragilidade.
Quero achar que se um dia eu não tiver conseguido mesmo concluir uma tarefa, o resto do coletivo consegue concluir sem mim.
O tempo todo me vejo tentando concluir tarefas sozinha. Tarefas que são coletivas. E isso me incomoda, muito.
Não vou deixar de concluir uma tarefa porque o outro não concluiu. Mas isso me faz deixar de escolher o outro. Eis a questão.
Andei reparando que raramente eu cago numa escolha. Sou muito intuitiva, isso me ajuda.
A verdade é que eu sempre fui seletiva e nunca tentei esconder isso porque é algo muito evidente. Desisti de mudar, inclusive.
Eu acho que eu sou o que eu escolho. Nada fala mais sobre mim, do que as escolhas que eu faço.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Depois de passar por Andromaca.

Eu odeio o fracasso.
As vezes eu me acho competitiva quando participo de algum jogo. Mas na verdade eu odeio o fracasso.
Poderia ser um medo, mas eu já fracassei tantas vezes que o medo lenvantou-se e foi-se embora.
As pessoas são extremamente simples de lidar. E eu também sou. Mas a minha dificuldade sempre esteve em lidar comigo mesma.
Eu sempre perco na competição comigo mesma e aí que eu fracasso. Eu sempre perco pra minha insegurança.
As vezes eu me questiono se eu me cobro demais. Eu me cobro, verdade. Mas não sei se é demais ou no limite necessário.
De uns tempos pra cá, tenho tido plena consciência do que eu desejo e não aceito mais qualquer coisa.
Não dá mais. É essa a busca. É algo que me mantém viva. Enquanto eu sentir falta de alguma coisa, eu estarei buscando.
E esse é o meu combustível. Talvez um dia eu não tenha mais nada para buscar e aí eu vou querer conhecer de perto a morte.
Talvez a morte seja a única coisa que me deixe curiosa que eu não tenha conseguido conhecer até então.
Mas talvez demore pra chegar lá, são tantas coisas que eu não sei e quero saber!

Só to falando tudo isso, porque ontem me senti péssima porque não consegui ler (como eu acho que eu deveria!) um texto pra aula.

Essa semana percebi que eu tenho muita dificuldade pra me concentrar.
E tem coisas que por mais que eu leio não consigo dominar e isso me incomoda muito!
E isso me frustou e me fez pensar muito.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Pra guardar.

A experiência da apresentação na feira da Pompéia, foi deliciosamente diferente e incrível pra mim.

Um dia eu escrevo direito sobre isso.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Holofote...

Estar num lugar que me deixa a vontade, faz toda a diferença.
Por isso que eu estou adorando a faculdade e consigo até ser simpática.
Sempre sorrio pra pessoas, ajudo, converso. Sempre conheço gente nova.

E hoje algo inusitado aconteceu.
Eu estava passando pela minha classe e um garoto sorriu para mim. Eu retribui o sorriso.

Segue o diálogo:

Ele:

- Você não era do Etapa?

- Sou, como você sabe?

Eu não lembrava mesmo dele.

- Você não sentava nas fileiras da frente, primeira carteira, lado direito?

Socorro.

- Aham....

- Você sempre sentava com uma perna em cima da outra né?

Aí, já era demais.

- Engraçado, eu não lembro de você. Sou péssima fisionomista!

- Eu também sou. Mas nem me pergunte porque eu lembro de você.


E eu não perguntei. Só lembrei do episódio onde tive a oportunidade de conversar com o menino da facu que eu quero desde o dia da matrícula.
Ele perguntou como eu sabia o nome dele e lembrava que ele tinha cabelo mais comprido.

Eu pensei em responder "oras, porque eu quero você".
Mas era o primeiro encontro.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A história de um piriri

No sábado retrasado fiquei com piriri.
Na segunda perdi mais da metade da aula, trancada num banheiro da faculdade.
Cada vez que eu comia eu ia direto pro banheiro.
Na terça me irritei e simplismente parei de comer. Bebia liquidos para não desidratar.
Estava na aula de linguistica e resolvi tomar chocolate quente da cantina. E é muito ruim o chocolate quente da catina.
Coloquei metade do copo de açucar. Passei muito, muito mal.
Na quarta não tava mais aguentando ficar sem comer e fui na farmacia pro Mario me atender.
O Mario é um farmeceutico velhinho, da época dos meus avós, da época em que as pessoas iam para a farmácia ver qual era o problema.
Ele me deu dois remédios e eu tinha que tomar só chá e bolacha. Disse que no dia seguinte eu estaria melhor.
Na quinta continuei fazendo isso e pareceu melhorar.
Na sexta passei mal denovo. E não fui para a faculdade. Eu nunca tinha faltado na faculdade. Me odiei por isso.

Nessa hora o desespero me consumiu. Eu tinha peça nesse sábado e uma cena no domingo. Como fazer isso, com todo esse piriri?
No sábado, obviamente, almocei e passei mal. Fiz a peça inteira com a barriga pesada. Não fui nem na virada cultural.
No domingo estava tudo muito pior. E o banheiro era 5 reais. Eu apresentei a minha cena e fui direto para o hospital.

"Olha, eu diria que é uma virose....mas do jeito que você tá....é uma infecção bacteriana"

Legal, agora por causa disso tenho que fazer uma dieta de no minimo uma semana, se eu não quiser continuar morando no banheiro.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Refugo

Esta é a terceira peça do repertório do meu grupo de teatro O Pequeno Teatro de Torneado.
Montamos ela pelo projeto Conexões em 2008. Este foi o ano em que eu larguei tudo só pra fazer teatro.

O Refugo é o nosso terceiro filho. Com uma encenação mais fechada, texto pronto de uma dramaturga britânica.
Demorei pra gostar desse filho, mas hoje em dia, eu me sinto muito feliz por tê-lo.
Em 2008, apresentamos no teatro Cultura Inglesa, em 2009 participamos do festival de Curitiba, fizemos uma temporada e ainda uma mostra em guarulhos.

Em 2009 também, apresentamos no Teatro Vivo, num projeto de formação de público que foi a minha experiência teatral que eu mais gostei.
Apresentamos pra um teatro lotado de moradores da periferia. E foi delicioso. Porque no começo eu me sentia muito insegura e em dúvida, se eles comprariam o nosso jogo ou não.
Eles começaram dispersos e foram cedendo ao decorrer da peça e no final já estavam totalmente envolvidos pela peça.
Eu não esqueço aquela sensação.

Semana passada, a Vivo nos convidou para fazer uma temporada com alguma peça jovem e escolhemos o Refugo pra apresentar.

Aqui tem uma crítica que saiu da nossa peça no jornal Estadão, ano passado, durante o Festival de Curitiba.

Segue abaixo o flyer e o serviço:



Refugo

Em seu aniversário de onze anos, Kojo vê sua família ser assassinada por guerrilheiros em meio à guerra civil instaurada em seu país. Aos catorze, é mandado por um tio ao Reino Unido, onde recebe tratamento em um abrigo para crianças refugiadas. Refugo é uma história sobre a infância perdida e um assassinato cometido no Reino Unido por uma criança africana.

Sábados, às 16h

De 15 de maio a 05 de junho.



Serviço



Espetáculo: Refugo

Texto: Abi Morgan

Direção: William Costa Lima

Temporada: Dia 15 de maio a 05 de maio

Dias/horário: sábados, às 16h

Onde: TEATRO VIVO

Av. Dr. Chucri Zaidan, 860 - Morumbi.

Telefone: (11) 7420-1520.

Estacionamento: R$ 15 em dinheiro, somente com manobrista

Capacidade: 290 lugares. http://www.vivo.com.br/teatrovivo/

Entrada Franca:

Classificação indicativa: 10 anos

Duração: 70 min

Maiores informações: www.torneado.blogspot.com

Claro que a presença dos amigos me deixa muito, muito feliz!!!

Qualquer coisa, entre em contato via cel, tel, orkut, msn, blog ou email!