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sábado, 8 de janeiro de 2011

35 minutos.

A primeira que vez que viajei de avião foi aos 20 anos. Antes de chegar ao aeroporto voltei em casa porque havia esquecido o celular.
Demorei um tempo até encontrar um lugar para estacionar o carro e mais tempo até achar o guichê da agência.
Não entendo nada de viagem de avião. Não coloquei minha mala na esteira, isso deve ser para as malas acima do peso.
Ao descer, a moça disse que se eu demorasse mais um pouco eu perderia o vôo. E olha que eu desci no horário escrito naquele bilhetinho.
Me enfiaram numa van e depois subi aquela escadinha do avião. Olhei para o comandante e disse um bom dia, bom dia para todos nós porque eu nunca tinha viajado de avião.
Atrasada, andei com a minha mala até o final do corredor, onde parecia ser o meu lugar, a espera de uma resposta.
Havia um moço fazendo palavras crruzadas ao meu lado. E mesmo assim eu nunca me senti tão sozinha. Sozinha em tantos sentidos.
Esperava mais deste momento. Esperava uma mão para segurar, alguém que escutasse o quanto sair do chão foi um momento esperado.
A expectativa para um evento é sempre melhor que o evento em si, é o que dizem.
As aeromoças deram as indicações do que fazer em caso de emergência. Não decorei nenhuma informação, se essa porra cair, morro e pronto.
Mas eu ganhei essa passagem, não podia fazer feio. Enquanto elas decupavam aqueles gestos, tentei disfarçar a minha solidão e abri um livro.
Chorei, chorei, chorei, não era saudade, não era medo não, era solidão, a minha solidão.
Meu pai disse que eu poderia pedir uma cerveja para dar uma relaxada. Mas não tinha cerveja naquele avião.
Tinha serviço de bordo e eu me descobri faminta ao comer aquele lanche.
O moço ao lado resolveu conversar comigo. Mas não dava pra escutar nada, meus ouvidos estavam totalmente entupidos.
Eles desentupiram no momento do pouso, quando a minha cabeça bateu no banco da frente.
O moço ajudou a carregar minha mala até o fim.

Sempre achei que saber chorar no momento certo é importante.

sábado, 31 de julho de 2010

Eu nunca fiz amigos bebendo leite.

Ontem eu estava de muito bom humor e resolvi que era dia de beber na rua e ver pessoas.
Lá estava eu no metrô, quando o vejo. Quem? Quem? Quem? O Muso! O meu Muso da faculdade!
No mesmo vagão que eu. Pena que eu já ia descer naquela estação, que pena! Mas aí, já tenho assunto pra falar com ele na segunda-feira.
Não é ótimo?
Depois disso, fiquei achando que o dia terminaria muito bem!

Subi a Augusta ainda com um sorrisão e colei num barzinho que minhas amigas estavam numa mesa na calçada.
Reparei que um moço com cara de vendedor de miçanga (perfil típico dos estudantes da minha faculdade) estava olhando pra mim. Ignorei.
Ele veio pedir um cigarro. Tática clichê. Mas ele tinha cabelo cacheado e barba, dei um cigarro.
Ele puxou assunto por causa do cigarro (tática ainda clichê, porém, funcional.) e depois pagou uma cerveja pra minhas amigas e pra mim.
E parecia aceitar que eu não queria papo, começou a conversar com as amigas também. Ele é Designer.
Agora vamos ao perfil dele: Além de cara de vendedor de miçanga, ele tem os olhos um pouco vermelhos, coisa de quem puxa uns backs.
E pra mim, quem puxa muito back a ponto de deixar o olho avermelhar, acaba ficando burro. E ele parecia ser meio lento mesmo.
Mas...pagou a cerveja. E na minha classificação etária, ainda por cima, ele é Kids. Não estava disposta a cuidar de um kids em minha última sexta feira de férias.

Mas como eu estava de bom humor e ele ainda havia pagado a cerveja, continuamos a conversa. E cada vez mais óbvio que ele queria ficar comigo.
Tá difícil de me enganar, hoje em dia, confesso.
Minhas amigas estavam indo embora do barzinho e chegou outra amiga, pra dar continuidade no rolê. E todos lá conversando.
E aí, eu precisava decidir o que fazer com o Kids/Designer que parecia muito afim da minha pessoa.
Claro que pra isso....eu perguntei: "E aí? qual teu signo?" e ele disse "Advinha!". Ok, adoro advinhar signos.
Pela situação chutei áries e touro e não era. Alguém chutou gemeos e claro que não era e alguém falou aquário e eu achei que pudesse ser e não era.
Antes que eu pudesse pensar ele disse "Escorpião". Ah, puta que pariu. Bom, escorpião sempre faz isso. Fala pra advinhar e quando começa a ficar legal, estraga a brincadeira.
Então ele disse que ninguém gostava de escorpião. Eu disse que gostava e que era um signo que tinha muito magnetismo. Ai, pra quê.

Mas aí eu pensei: escorpião fácil na minha + cerveja de graça + nunca beijei um escorpião = tenho uma missão!.

Bom, então começamos aqui a história do atual flerte: Designer.

Era o dia de sorte dele. Sabe? De muita sorte. Era uma promoção. Eu resolvi ficar com aquele cara. Eu estava indo beber em outra calçada e passei meu celular pra ele me achar lá se quisesse.
E ele foi atrás! hahahahaha, homem bom é isso, gente, vai atrás de seus objetivos. Ele pagou mais uma cerveja pra mim e pras amigas...uhu, assim que eu gosto.
Tava tudo bem, muito divertido, mas aí a amiga resolveu dar rolê no tatuapé. Ah não, não iria passar minha última sexta livre no tatuapé.
Resolvi beber mais umas cervejas com o mocinho até a hora de ir embora e experimentar o magnetismo escorpiniano, é claro.

Hoje havia uma mensagem dele em meu celular, falando que o dia tá lindo.

Missão concluída com êxito.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Aproveite o dia.


Depois que parei de trabalhar em buffet infantil, demorei um pouco, mas voltei a gostar de crianças.
Ontem eu estava no metrô, sentada no banco perto do assento reservado.
Eu estava estudando em minhas últimas chances de estudar para a prova de estudos clássicos, que eu teria naquela noite.
Eu estava escrevendo sobre os Topóis do Carpe Diem.

Havia um menininho sentado no colo de uma senhora. Procurei não desviar minha atenção do caderno. Eu precisava estudar, eu não sabia as duas primeiras questões que poderiam cair na prova!
Notei que o menino começou a brincar com o meu chaveiro. Ignorei.
Depois de um tempo divagando com a mãe sobre o meu chaveiro, a mãe então perguntou:

- Você perguntou para a tia se você pode brincar com o chaveiro dela?

Eu falei que podia. E continuei escrevendo. Eu precisava mesmo estudar, não daria tempo de fazer isso antes de chegar na faculdade.
Mas o menino foi além:

- Tia, posso desenhar no seu caderno?

Foi um momento canceriano. Eu dei meu caderno e a minha lapiseira na mão daquele menino sedutorzinho.
Eu tinha que estudar e...não ia mais estudar. Eu precisava daquele caderno, daquela lapiseira e agora estava com ele.
Fiquei contemplando o desenho que ele fazia e pensando "Que merda! Eu odeio ser assim, vou bombar na prova porque não me organizei para ir bem e blá blá blá...".
Diogo, 3 anos, faz desenhos na vertical com o caderno em horizontal. Segundo ele, era um "Solzinho".
E a mãe ficou louca quando, depois, eu dei um lápis amarelo para ele colorir e ele resolveu desenhar outro.
Tentou tirar o caderno da mão do menino e ele ficou muito bravo.

- Você é aries?

Não, ele é escorpião - a mãe esclareceu.
Ah sim, claro. Foi um dia escorpião mesmo.
A menina que estava sentada ao meu lado pontuou sobre o mundo escorpião "aaaah, escorpião....eles nunca gostam de nada, mas quando gostam....".
Se esse menino gostar do meu caderno, fodeu. "E eles são super ciumentos" ela completou. Se esse menino gostar do meu caderno e não quiser me devolver eu vou me foder muito!
Já aconteceu de crianças pegarem minhas coisas, não quererem devolver e eu canceriana maldita, acabar cedendo pra ver um sorriso.
Mas eu precisava daquele caderno, eu tinha que estudar! Toda minha matéria do ano, estava lá!

- Filho, nós já vamos descer. Devolve o seu caderno pra tia?

E ele devolveu e sorriu. Que lindo, que mágico, quero ter um filho!
Mas cheguei na faculdade sem saber sobre o escudo do Arquíloco e a importância dos Topois do Carpe Diem.
E o desfecho não vou contar. É coisa minha.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Você já pensou que ia morrer?

Eu já.

A última vez foi no bar. A banda estava tocando Great Balls Of Fire e estava rolando um show de pirofagia.

A estrela do show tacou fogo na geladeira. Eu agarrei a minha bolsa, pra facilitar o reconhecimento do corpo.

Que deprê! Nunca tenho dinheiro pra vir aqui e quando eu venho, eu morro!

Se eu morrer, vou pegar meu dinheiro de volta.

Pense pelo lado positivo. Pelo menos, a música era do Jerry Lee Lewis.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A história de um piriri

No sábado retrasado fiquei com piriri.
Na segunda perdi mais da metade da aula, trancada num banheiro da faculdade.
Cada vez que eu comia eu ia direto pro banheiro.
Na terça me irritei e simplismente parei de comer. Bebia liquidos para não desidratar.
Estava na aula de linguistica e resolvi tomar chocolate quente da cantina. E é muito ruim o chocolate quente da catina.
Coloquei metade do copo de açucar. Passei muito, muito mal.
Na quarta não tava mais aguentando ficar sem comer e fui na farmacia pro Mario me atender.
O Mario é um farmeceutico velhinho, da época dos meus avós, da época em que as pessoas iam para a farmácia ver qual era o problema.
Ele me deu dois remédios e eu tinha que tomar só chá e bolacha. Disse que no dia seguinte eu estaria melhor.
Na quinta continuei fazendo isso e pareceu melhorar.
Na sexta passei mal denovo. E não fui para a faculdade. Eu nunca tinha faltado na faculdade. Me odiei por isso.

Nessa hora o desespero me consumiu. Eu tinha peça nesse sábado e uma cena no domingo. Como fazer isso, com todo esse piriri?
No sábado, obviamente, almocei e passei mal. Fiz a peça inteira com a barriga pesada. Não fui nem na virada cultural.
No domingo estava tudo muito pior. E o banheiro era 5 reais. Eu apresentei a minha cena e fui direto para o hospital.

"Olha, eu diria que é uma virose....mas do jeito que você tá....é uma infecção bacteriana"

Legal, agora por causa disso tenho que fazer uma dieta de no minimo uma semana, se eu não quiser continuar morando no banheiro.

domingo, 7 de março de 2010

Dormi no ponto

Eu tava assim, na minha, usando o computador e avistei a bicha.
Malditos insetos! Se não fossem seus aparelhos bucais, suas antenas e sua capacidade de adaptação, vocês estariam fodidos!!!!
Lembrei de um stand up que vi há alguns dias. Lançava uma questão: Se as baratas gostam de esgoto e sujeira, o que uma barata poderia estar procurando na tua casa?
Babaca. E aquela barata estava ali, há dois metros do meu quarto, que eu limpo uma vez por semana. Muita cara de pau né?
Eu odeio matar baratas. Portanto, tomei a atitude mais óbvia. Tentei acordar alguém da casa, mas ninguém acordou.
Eu não sabia onde estavam as ferramentas para retirar aquela criatura terrível, abominável e irritante dali, por isso resolvi usar uma estratégia.
Fingi que não estava vendo ela lá, paradinha. Fiquei mais um tempo ignorando a sua existência e quando olhei novamente ela permaneceu imóvel, na mesma posição.
Pensei - ja deve ter morrido, esperando uma reação minha, oras! - Mas ela mudou de posição logo em seguida. E o tempo passou denovo e agora assim, ela permaneceu imóvel.
Devia estar dormindo. Cheguei a essa conclusão e resolvi dormir também. - Amanhã quando eu acordar vou mata-la de surpresa!
Ela vai acordar para morrer, essa vadia.
Mas quando acordei, a vagabunda pilantrinha já não estava mais lá.
Vai ver ela já tinha saido para trabalhar.