Por medo da solidão acabou sozinha em um quarto de hotel no ponto mais alto de seus 80 anos.
Assim esperava o fim da vida depois da morte do marido. Ah, o marido que ela amara tanto.
Com ele, quatro lindos filhos, muitos cachorros, gatos e flores.
Que sorte ter tido mais de um filho. Agora poderiam dividir as despesas entre si.
O quarto não era dos melhores, verdade. Mas tinha um banheiro de ducha quente e café da manhã.
Não precisava cozinhar. Comprava suas comidas diabéticas no começo do mês e assim não era preciso sair do quarto.
Na época da juventude tinha dois medos e um deles era a diabete, o outro, já mencionado nesta história era a solidão.
Agora sofria de ambos.
Era o momento das crianças, agora adultas, estudarem, trabalharem e criarem sua terceira geração.
Nos fins de semana, buscavam a senhora no quarto e a levavam para passear. Segurava os netos no colo enquanto sentada, pois sua coluna já estava retorcida há algum tempo.
Assistiam um filme, viam fotos antigas, uma peça de teatro, uma exposição, um passeio no parque, qualquer coisa.
Mas durante a semana, a vida era assim: Triste.
Pensou nisso ao cantar parabéns para si mesma diante de um bolo de chocolate diet.
Apagou as 80 velas que havia acendido cuidadosamente e depois foi dormir.
domingo, 26 de junho de 2011
Miniconto
Naquela época carregava em sua bolsa de barraquinha muitas expectativas que com o
tempo tornaram-se frustrações que caíram uma a uma pelo chão de piso frio xadrez.
O chão não era realmente frio, tampouco o mundo duro.
Apenas tivera expectativas demais.
tempo tornaram-se frustrações que caíram uma a uma pelo chão de piso frio xadrez.
O chão não era realmente frio, tampouco o mundo duro.
Apenas tivera expectativas demais.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Miniconto
Sentia-se muito sozinha todas as manhãs e todas as manhãs pensava como sentia-se sozinha.
Já havia gostado da poesia e da estética das palavras mas depois de um tempo a vida tornou-se seca.
Acordava logo cedo ao escutar o barulho da porta do quarto abrindo e ficava deitada na cama contemplando a lâmpada por um tempo.
Depois disso, tomava coragem para levantar-se e dar certo naquilo que, por convenção, também chamava de vida.
Já havia gostado da poesia e da estética das palavras mas depois de um tempo a vida tornou-se seca.
Acordava logo cedo ao escutar o barulho da porta do quarto abrindo e ficava deitada na cama contemplando a lâmpada por um tempo.
Depois disso, tomava coragem para levantar-se e dar certo naquilo que, por convenção, também chamava de vida.
sábado, 4 de junho de 2011
Epígrafe
Aqui jaz alguém que queria imitar Vírgilio, escrevendo sua própria epígrafe.
Aqui jaz alguém de coluna podre, joelho podre, apodrecendo por inteira.
Aqui jaz alguém que já foi e não é mais.
Aqui jaz alguém de coluna podre, joelho podre, apodrecendo por inteira.
Aqui jaz alguém que já foi e não é mais.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Procura-se, paga-se bem
Oi, gente.
Estou procurando uma pessoa...ela sumiu há algum tempo, não obtive mais notícias, por isso acabei descartando a possibilidade de sequestro.
Fui até a praça Roosevelt mas disseram que há algum tempo ela não aparece por lá. Ouvi dizer que não tem mais a grana para pagar a cerveja.
Lá na faculdade dela, algumas pessoas a conhecem, mas também não sabem dizer o que poderia ter acontecido.
Perguntei para o professor o qual ela sempre mencionava e ele disse que também não sabia, embora soubesse que ela poderia estar por aí, lendo o Fausto.
Mas eu achei um fausto na rua, um fausto de capa preta, talvez seja o dela. Estou confusa, onde ela foi parar?
Tentei contatar O Namorado, talvez ele soubesse, ouvi dizer que eles sempre estavam juntos. Mas ele também não sabia.
A última vez que a encontrei, ela carregava consigo um bloco de notas. Observei de longe, ela escrevia coisas em seu diário mas em seguida arrancava a folha, amassava formando bolas de papel e jogava no cesto do lixo.
Parecia chorar.
Talvez fosse pelo seu all star sujo que tinha a sola descolada.
Ela está fazendo muita falta para mim. Hoje acordei e a privada estava entupida, mas havia um bilhete avisando.
Eu me senti tão mal, tão solitária. Neste momento, meu peito sentiu muita saudade dela. Tenho certeza que se ela estivesse aqui agora, tudo seria menos pior.
Mas ela não está mais aqui. Talvez ela tenha pegado o último Jaçanã e partiu.
Outrora havia dito que seus parágrafos fugiram todos um a um. Eu inutilmente pensei no que poderia fazer. Mas o tempo me consumiu....
Gente, por favor. Se alguém a encontrar por aí....diga a ela que eu a queria de volta.
Digam á Mayra que escrevia aqui que eu sinto muita falta dela.
Grata,
Má.
Estou procurando uma pessoa...ela sumiu há algum tempo, não obtive mais notícias, por isso acabei descartando a possibilidade de sequestro.
Fui até a praça Roosevelt mas disseram que há algum tempo ela não aparece por lá. Ouvi dizer que não tem mais a grana para pagar a cerveja.
Lá na faculdade dela, algumas pessoas a conhecem, mas também não sabem dizer o que poderia ter acontecido.
Perguntei para o professor o qual ela sempre mencionava e ele disse que também não sabia, embora soubesse que ela poderia estar por aí, lendo o Fausto.
Mas eu achei um fausto na rua, um fausto de capa preta, talvez seja o dela. Estou confusa, onde ela foi parar?
Tentei contatar O Namorado, talvez ele soubesse, ouvi dizer que eles sempre estavam juntos. Mas ele também não sabia.
A última vez que a encontrei, ela carregava consigo um bloco de notas. Observei de longe, ela escrevia coisas em seu diário mas em seguida arrancava a folha, amassava formando bolas de papel e jogava no cesto do lixo.
Parecia chorar.
Talvez fosse pelo seu all star sujo que tinha a sola descolada.
Ela está fazendo muita falta para mim. Hoje acordei e a privada estava entupida, mas havia um bilhete avisando.
Eu me senti tão mal, tão solitária. Neste momento, meu peito sentiu muita saudade dela. Tenho certeza que se ela estivesse aqui agora, tudo seria menos pior.
Mas ela não está mais aqui. Talvez ela tenha pegado o último Jaçanã e partiu.
Outrora havia dito que seus parágrafos fugiram todos um a um. Eu inutilmente pensei no que poderia fazer. Mas o tempo me consumiu....
Gente, por favor. Se alguém a encontrar por aí....diga a ela que eu a queria de volta.
Digam á Mayra que escrevia aqui que eu sinto muita falta dela.
Grata,
Má.
De onde eu parei.
Um ponto para a solidão que sempre me ajudou e uma estrelinha vermelha para todos os meus medos e receios bobos que nunca me levaram a lugar nenhum.
Um dia percebi que a sala não estava cheia de amigos mas estava cheia de caixas e pacotes e cheia de um mundo novo para descobrir. Algo havia mudado.
Que bom que as coisas mudam e mudam para melhor, mesmo que quando isso aconteça eu levante os braços em X e peça pra parar. Por favor, parem que eu quero descer, por favor.
Mas depois de algumas subidas e descidas e curvas e tudo, já é tarde para recuar.
Dessa vez apertei os cintos para não bater a cabeça.
Um dia percebi que a sala não estava cheia de amigos mas estava cheia de caixas e pacotes e cheia de um mundo novo para descobrir. Algo havia mudado.
Que bom que as coisas mudam e mudam para melhor, mesmo que quando isso aconteça eu levante os braços em X e peça pra parar. Por favor, parem que eu quero descer, por favor.
Mas depois de algumas subidas e descidas e curvas e tudo, já é tarde para recuar.
Dessa vez apertei os cintos para não bater a cabeça.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Constatação:
Tudo indica que cada vez que o sol entra em um novo signo, eu resolvo escrever.
Mas isso é só uma coincidência. Na verdade tenho medo dos meus parágrafos desistirem de mim e meus pensamentos caírem no vazio.
Eu acho a atual realidade um troço aterrorizante.
Mas isso é só uma coincidência. Na verdade tenho medo dos meus parágrafos desistirem de mim e meus pensamentos caírem no vazio.
Eu acho a atual realidade um troço aterrorizante.
Parede como função pedagógica.
Eu devia começar a anotar todas as minhas ideias noturnas para postar aqui.
Por um tempo resolvi essa questão, eu rabiscava na parede tudo que eu havia pensado.
Mas nem por isso voltei a escrever.
Muitas vezes rabisquei as paredes.
Quando criança eu adorava giz de cera e pensava que as paredes pensavam o mesmo.
Quer dizer, hoje analisando a situação não sei bem porque eu tinha essa adorável mania.
Adorável para mim, claro.
As paredes da casa da minha vó eram todas rabiscadas. E as paredes da primeira casa onde eu morei também.
A primeira casa era de aluguel e um dia aqueles rabiscos deram um certo trabalho, portanto.
Uma vez minha mãe disse que tínhamos que limpar as paredes porque íamos mudar de lá.
Eu tentei limpar, inutilmente. Depois de uns 16 anos, escutei ela dizendo que quando saímos de lá, ela mandou pintar as paredes para devolver a casa. O que me fez pensar que se agora a casa é própria, talvez as paredes jamais sejam pintadas novamente.
Meu quarto permanece com as paredes rabiscadas portanto. Aluguei para o pó que entra pela porta e creio que ele, como eu, jamais tentará limpar.
É que eu já tentei limpar muitas coisas mas acabei desistindo.
Todos os dias eu pego o meu pano imaginário e tento limpar tudo de feio que acabou ficando por aqui.
Mas não dá, porque há tempos que as veias que passam pelo meu coração não produzem água quente.
Acho que é o inverno que está chegando.
Por um tempo resolvi essa questão, eu rabiscava na parede tudo que eu havia pensado.
Mas nem por isso voltei a escrever.
Muitas vezes rabisquei as paredes.
Quando criança eu adorava giz de cera e pensava que as paredes pensavam o mesmo.
Quer dizer, hoje analisando a situação não sei bem porque eu tinha essa adorável mania.
Adorável para mim, claro.
As paredes da casa da minha vó eram todas rabiscadas. E as paredes da primeira casa onde eu morei também.
A primeira casa era de aluguel e um dia aqueles rabiscos deram um certo trabalho, portanto.
Uma vez minha mãe disse que tínhamos que limpar as paredes porque íamos mudar de lá.
Eu tentei limpar, inutilmente. Depois de uns 16 anos, escutei ela dizendo que quando saímos de lá, ela mandou pintar as paredes para devolver a casa. O que me fez pensar que se agora a casa é própria, talvez as paredes jamais sejam pintadas novamente.
Meu quarto permanece com as paredes rabiscadas portanto. Aluguei para o pó que entra pela porta e creio que ele, como eu, jamais tentará limpar.
É que eu já tentei limpar muitas coisas mas acabei desistindo.
Todos os dias eu pego o meu pano imaginário e tento limpar tudo de feio que acabou ficando por aqui.
Mas não dá, porque há tempos que as veias que passam pelo meu coração não produzem água quente.
Acho que é o inverno que está chegando.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Criaturas fantásticas e eu.
Lendo meus textos, não preciso ir tão longe, talvez dois posts abaixo.
Me questiono onde fui parar.
Acho que em algum momento do meu passeio, eu afrouxei as rédeas e o meu cavalo tão pesado, começou a correr em disparada.
Eu não sei onde eu fui.
Eu sabia que dali então, eu iria bater.
Ainda não bati, não.
Meu cavalo estava pesado e queria voar, de fato saiu voando.
Trombei com uma árvore no meio do caminho. Doeu horrores.
Continuamos no passeio mesmo assim.
Mas agora tenho um galo em minha testa.
Agora estamos iguais. Meu cavalo e eu.
Por que não era um cavalo, era um unicórnio.
Me questiono onde fui parar.
Acho que em algum momento do meu passeio, eu afrouxei as rédeas e o meu cavalo tão pesado, começou a correr em disparada.
Eu não sei onde eu fui.
Eu sabia que dali então, eu iria bater.
Ainda não bati, não.
Meu cavalo estava pesado e queria voar, de fato saiu voando.
Trombei com uma árvore no meio do caminho. Doeu horrores.
Continuamos no passeio mesmo assim.
Mas agora tenho um galo em minha testa.
Agora estamos iguais. Meu cavalo e eu.
Por que não era um cavalo, era um unicórnio.
terça-feira, 29 de março de 2011
Updates
Pensei que não mas consegui sobreviver. Neste mês completei 1 ano de faculdade. Feliz porque fechei em todas as matérias sem pegar nenhuma DP.
De toda a minha vida, o momento mais feliz foi quando eu passei na UNIFESP. Até aquele momento, a vida estava uma bosta. Eu pensava até quando eu conseguiria suportar tudo isso. Até quando eu conseguiria morar nesta casa escrota, bairro escroto. Até quando eu aguentaria ser controlada pela minha mãe e pela minha vó.
Até acabar a faculdade provavelmente, se eu conseguisse aguentar, era o que eu pensava.
Mas aí passei numa faculdade federal. Se der qualquer merda, ao menos os meus estudos eu garanto. Eu poderia dar um jeito de me mandar daqui sem comprometer meus estudos.
Na verdade, Letras não era bem o que eu queria como primeira faculdade, sabe, parece um curso meio erudito pra mim.
Mas era o que tinha pra mim naquele dia, abri os braços e aceitei.
Eu disse na primeira aula de Estudos Literários, na hora da apresentação, que eu não tinha expectativa nenhuma, que a minha área era outra (artes e comunicação), mas que eu achava que dava pra fazer o curso sem pensar em me matar.
O professor sorriu. E no final da aula um moço veio falar comigo. Ele disse que tinha gostado do que eu tinha falado. Ele era muito bonitinho, com cara de inteligente. Ele é O Namorado agora. E agora ele está mais bonito ainda (TODO, Mundo. 2011).
Depois que O Namorado apareceu a vida melhorou um pouco mais. É bom ter alguém com os mesmos interesses que eu pra variar um pouco.
Temos um "negócio em família". Nós xerocamos e imprimimos por encomenda para os alunos da nossa faculdade.
Não sei quando a ideia de trabalharmos nisso surgiu. Mas sei que a minha frustração com a xerox da faculdade vem desde o ano passado. Eu tinha vontade de resolver esse problema e precisava de um trabalho que não atrapalhasse a faculdade. Juntei ambos, portanto.
Este ano comecei a me questionar se quero continuar mesmo fazendo Letras. Mas achei legal a aula de Latim e estou ficando.
Aproveitando que estou lá resolvi começar a minha iniciação científica. Quero pesquisar o movimento de influência de uma obra em outra.
O professor que sorriu, agora é o meu orientador.
De toda a minha vida, o momento mais feliz foi quando eu passei na UNIFESP. Até aquele momento, a vida estava uma bosta. Eu pensava até quando eu conseguiria suportar tudo isso. Até quando eu conseguiria morar nesta casa escrota, bairro escroto. Até quando eu aguentaria ser controlada pela minha mãe e pela minha vó.
Até acabar a faculdade provavelmente, se eu conseguisse aguentar, era o que eu pensava.
Mas aí passei numa faculdade federal. Se der qualquer merda, ao menos os meus estudos eu garanto. Eu poderia dar um jeito de me mandar daqui sem comprometer meus estudos.
Na verdade, Letras não era bem o que eu queria como primeira faculdade, sabe, parece um curso meio erudito pra mim.
Mas era o que tinha pra mim naquele dia, abri os braços e aceitei.
Eu disse na primeira aula de Estudos Literários, na hora da apresentação, que eu não tinha expectativa nenhuma, que a minha área era outra (artes e comunicação), mas que eu achava que dava pra fazer o curso sem pensar em me matar.
O professor sorriu. E no final da aula um moço veio falar comigo. Ele disse que tinha gostado do que eu tinha falado. Ele era muito bonitinho, com cara de inteligente. Ele é O Namorado agora. E agora ele está mais bonito ainda (TODO, Mundo. 2011).
Depois que O Namorado apareceu a vida melhorou um pouco mais. É bom ter alguém com os mesmos interesses que eu pra variar um pouco.
Temos um "negócio em família". Nós xerocamos e imprimimos por encomenda para os alunos da nossa faculdade.
Não sei quando a ideia de trabalharmos nisso surgiu. Mas sei que a minha frustração com a xerox da faculdade vem desde o ano passado. Eu tinha vontade de resolver esse problema e precisava de um trabalho que não atrapalhasse a faculdade. Juntei ambos, portanto.
Este ano comecei a me questionar se quero continuar mesmo fazendo Letras. Mas achei legal a aula de Latim e estou ficando.
Aproveitando que estou lá resolvi começar a minha iniciação científica. Quero pesquisar o movimento de influência de uma obra em outra.
O professor que sorriu, agora é o meu orientador.
domingo, 27 de março de 2011
Tédio de domingo
No final das contas, escrever sempre foi o único jeito.
Tenho me contentado em sentar em cima de uma pedra para observar a vida que passa lentamente diante de mim.
Resignificando o vida, eu passo um tempo sentada naquela pedra.
De vez em quando as minhas partes calejam. Mas sei que faz parte.
No fundo sei que irei ficar cada vez mais calejada. Tento levantar-me devagar para não cair.
E se eu cair, sobrarão as mãos para servir de apoio, ao menos.
Tenho me contentado em sentar em cima de uma pedra para observar a vida que passa lentamente diante de mim.
Resignificando o vida, eu passo um tempo sentada naquela pedra.
De vez em quando as minhas partes calejam. Mas sei que faz parte.
No fundo sei que irei ficar cada vez mais calejada. Tento levantar-me devagar para não cair.
E se eu cair, sobrarão as mãos para servir de apoio, ao menos.
sábado, 19 de março de 2011
Escrever não é defecar
E se fosse, provavelmente, eu não não escreveria tanto quanto acho que devo. Provavelmente mesmo, eu teria de tomar duas doses de yakult a cada texto, novo dia.
Minha nova professora de literatura que disse essa sobre defecar. O que me fez pensar em meus blogs, tão marcados pelo abandono. Ela também disse que para escrever, não existe dom, existe a bunda na cadeira. E o que tem me faltado, é essa bunda na cadeira mesmo.
Eu poderia dizer: tempo. Mas acho o tempo um assunto prosaico por demais, achei que citar a fala de uma acadêmica ficava mais bonito.
Minha nova professora de literatura que disse essa sobre defecar. O que me fez pensar em meus blogs, tão marcados pelo abandono. Ela também disse que para escrever, não existe dom, existe a bunda na cadeira. E o que tem me faltado, é essa bunda na cadeira mesmo.
Eu poderia dizer: tempo. Mas acho o tempo um assunto prosaico por demais, achei que citar a fala de uma acadêmica ficava mais bonito.
quinta-feira, 3 de março de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Ensaio sobre o desapego.
Tudo ficou bem pior depois que a família resolveu arranjar um gato.
O local que já era quente e úmido ficou um pouco mais abafado e claustrofóbico depois disso.
"Não podemos deixar as janelas abertas, o gato foge" – é o que diziam.
Sim, é da natureza dos gatos fugir. E não há porque segurar. Todo gato vagabundo volta quando dá fome.
O calor entrava pela casa e lá ficava. A umidade corroía as paredes, deixando marcas de mofo e bolor.
Havia alguns fumantes na casa, o que tornava o ambiente um pouco mais pesado, já que a fumaça ficava impregnada no teto, não tendo para onde ir.
Chorava debaixo do chuveiro. Sem acreditar que um dia pudesse sair dali.
Juntava muitas moedinhas dentro de uma lata de achocolatado fazendo até o impossível para que um dia as coisas dessem certo.
Um dia as coisas deram certo, ainda que tenha levado muito tempo até então.
E nesse dia foi embora para nunca mais voltar.
Um tempo depois ficou sabendo que o gato havia fugido.
E no dia seguinte avisaram, a família havia morrido durante o sono. Causas desconhecidas.
Recebeu o laudo médico. Parada respiratória fulminante.
Fim trágico.
Chorou pelo inevitável, mas já havia desistido há algum tempo.
Agora, sem gato e sem família poderia abrir as janelas.
Mas já era tarde. Estava longe.
Como tantas outras coisas, não fazia mais diferença alguma.
O local que já era quente e úmido ficou um pouco mais abafado e claustrofóbico depois disso.
"Não podemos deixar as janelas abertas, o gato foge" – é o que diziam.
Sim, é da natureza dos gatos fugir. E não há porque segurar. Todo gato vagabundo volta quando dá fome.
O calor entrava pela casa e lá ficava. A umidade corroía as paredes, deixando marcas de mofo e bolor.
Havia alguns fumantes na casa, o que tornava o ambiente um pouco mais pesado, já que a fumaça ficava impregnada no teto, não tendo para onde ir.
Chorava debaixo do chuveiro. Sem acreditar que um dia pudesse sair dali.
Juntava muitas moedinhas dentro de uma lata de achocolatado fazendo até o impossível para que um dia as coisas dessem certo.
Um dia as coisas deram certo, ainda que tenha levado muito tempo até então.
E nesse dia foi embora para nunca mais voltar.
Um tempo depois ficou sabendo que o gato havia fugido.
E no dia seguinte avisaram, a família havia morrido durante o sono. Causas desconhecidas.
Recebeu o laudo médico. Parada respiratória fulminante.
Fim trágico.
Chorou pelo inevitável, mas já havia desistido há algum tempo.
Agora, sem gato e sem família poderia abrir as janelas.
Mas já era tarde. Estava longe.
Como tantas outras coisas, não fazia mais diferença alguma.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Caverna
Meu coração é feito de pedra, entre cada pedra há algumas fendas e entre as fendas crescem pequenas platinhas verdes. Filhas da úmidade, filhas de um coração que de tanto contrair solta pequenas lágrimas com dificuldade.
No fundo há um baú. E neste baú guardo algumas mágoas. Com o tempo, tornam-se esquecidas.
Tem dias em que o velho baú abre-se sozinho e essas mágoas saem e permeiam todo o coração, deixando marcas de bolor pelo teto.
Nos outros dias, eu coloco uma toalha bonita em cima do baú, embaixo de um lindo vasinho de flores.
E desejo acreditar que tudo ficará bem.
No fundo há um baú. E neste baú guardo algumas mágoas. Com o tempo, tornam-se esquecidas.
Tem dias em que o velho baú abre-se sozinho e essas mágoas saem e permeiam todo o coração, deixando marcas de bolor pelo teto.
Nos outros dias, eu coloco uma toalha bonita em cima do baú, embaixo de um lindo vasinho de flores.
E desejo acreditar que tudo ficará bem.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Me faltam novidades.
Tirando o velho você dá espaço para o novo entrar.
É, mas as vezes é muito difícil tirar o velho. Porque há o apego.
Há o tempo o qual as coisas estiveram guardadas aqui.
Guardei tudo isso por tanto tempo, que é quase muito estranho retirar-las daqui.
Mas hoje, assumi para mim mesma, chamei todas aquelas coisas velhas que não me acrescentavam nada e só me causavam desconforto, chamei todas aquelas coisas de lixo. E separei em sacos e tirei tudo daqui.
E agora estou mais leve. Agora eu vou assistir um filme, agora eu vou andar.
Agora o novo poderá entrar porque eu tirei o velho.
No entanto, sei que as vezes o velho não sai de jeito nenhum.
Mas tudo bem, se o velho não sair tudo bem. O novo entra pela fresta.
E é pela fresta que entra a luz.
É, mas as vezes é muito difícil tirar o velho. Porque há o apego.
Há o tempo o qual as coisas estiveram guardadas aqui.
Guardei tudo isso por tanto tempo, que é quase muito estranho retirar-las daqui.
Mas hoje, assumi para mim mesma, chamei todas aquelas coisas velhas que não me acrescentavam nada e só me causavam desconforto, chamei todas aquelas coisas de lixo. E separei em sacos e tirei tudo daqui.
E agora estou mais leve. Agora eu vou assistir um filme, agora eu vou andar.
Agora o novo poderá entrar porque eu tirei o velho.
No entanto, sei que as vezes o velho não sai de jeito nenhum.
Mas tudo bem, se o velho não sair tudo bem. O novo entra pela fresta.
E é pela fresta que entra a luz.
sábado, 8 de janeiro de 2011
35 minutos.
A primeira que vez que viajei de avião foi aos 20 anos. Antes de chegar ao aeroporto voltei em casa porque havia esquecido o celular.
Demorei um tempo até encontrar um lugar para estacionar o carro e mais tempo até achar o guichê da agência.
Não entendo nada de viagem de avião. Não coloquei minha mala na esteira, isso deve ser para as malas acima do peso.
Ao descer, a moça disse que se eu demorasse mais um pouco eu perderia o vôo. E olha que eu desci no horário escrito naquele bilhetinho.
Me enfiaram numa van e depois subi aquela escadinha do avião. Olhei para o comandante e disse um bom dia, bom dia para todos nós porque eu nunca tinha viajado de avião.
Atrasada, andei com a minha mala até o final do corredor, onde parecia ser o meu lugar, a espera de uma resposta.
Havia um moço fazendo palavras crruzadas ao meu lado. E mesmo assim eu nunca me senti tão sozinha. Sozinha em tantos sentidos.
Esperava mais deste momento. Esperava uma mão para segurar, alguém que escutasse o quanto sair do chão foi um momento esperado.
A expectativa para um evento é sempre melhor que o evento em si, é o que dizem.
As aeromoças deram as indicações do que fazer em caso de emergência. Não decorei nenhuma informação, se essa porra cair, morro e pronto.
Mas eu ganhei essa passagem, não podia fazer feio. Enquanto elas decupavam aqueles gestos, tentei disfarçar a minha solidão e abri um livro.
Chorei, chorei, chorei, não era saudade, não era medo não, era solidão, a minha solidão.
Meu pai disse que eu poderia pedir uma cerveja para dar uma relaxada. Mas não tinha cerveja naquele avião.
Tinha serviço de bordo e eu me descobri faminta ao comer aquele lanche.
O moço ao lado resolveu conversar comigo. Mas não dava pra escutar nada, meus ouvidos estavam totalmente entupidos.
Eles desentupiram no momento do pouso, quando a minha cabeça bateu no banco da frente.
O moço ajudou a carregar minha mala até o fim.
Sempre achei que saber chorar no momento certo é importante.
Demorei um tempo até encontrar um lugar para estacionar o carro e mais tempo até achar o guichê da agência.
Não entendo nada de viagem de avião. Não coloquei minha mala na esteira, isso deve ser para as malas acima do peso.
Ao descer, a moça disse que se eu demorasse mais um pouco eu perderia o vôo. E olha que eu desci no horário escrito naquele bilhetinho.
Me enfiaram numa van e depois subi aquela escadinha do avião. Olhei para o comandante e disse um bom dia, bom dia para todos nós porque eu nunca tinha viajado de avião.
Atrasada, andei com a minha mala até o final do corredor, onde parecia ser o meu lugar, a espera de uma resposta.
Havia um moço fazendo palavras crruzadas ao meu lado. E mesmo assim eu nunca me senti tão sozinha. Sozinha em tantos sentidos.
Esperava mais deste momento. Esperava uma mão para segurar, alguém que escutasse o quanto sair do chão foi um momento esperado.
A expectativa para um evento é sempre melhor que o evento em si, é o que dizem.
As aeromoças deram as indicações do que fazer em caso de emergência. Não decorei nenhuma informação, se essa porra cair, morro e pronto.
Mas eu ganhei essa passagem, não podia fazer feio. Enquanto elas decupavam aqueles gestos, tentei disfarçar a minha solidão e abri um livro.
Chorei, chorei, chorei, não era saudade, não era medo não, era solidão, a minha solidão.
Meu pai disse que eu poderia pedir uma cerveja para dar uma relaxada. Mas não tinha cerveja naquele avião.
Tinha serviço de bordo e eu me descobri faminta ao comer aquele lanche.
O moço ao lado resolveu conversar comigo. Mas não dava pra escutar nada, meus ouvidos estavam totalmente entupidos.
Eles desentupiram no momento do pouso, quando a minha cabeça bateu no banco da frente.
O moço ajudou a carregar minha mala até o fim.
Sempre achei que saber chorar no momento certo é importante.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Sob novas direções.
Perguntaram no meu formspring o que havia acontecido com o meu blog e porque eu havia parado de escrever. E aí eu fiquei pensando muitas coisas.
Meu blog continua aqui, mas evidentemente, eu parei de escrever. Eu parei porque estava me sentindo muito incomodada com algumas coisas.
Havia alguns assuntos da qual eu não podia falar e são estes assuntos, a qual tenho mais coisas para dizer.
Eu escrevo porque os meus pensamentos, muitas vezes não cabem em mim. E eu escrevo neste blog porque pessoas muito queridas frequentam.
Mas é público, verdade. Por isso, muitas vezes repenso sobre continuar escrevendo ou não. O suporte que eu uso (blog) interfere muito na minha escrita.
Se eu parar de escrever aqui, automaticamente, vou parar de escrever. Há algum tempo fiz um diário e parei de escrever nele também.
Mas hoje eu fiquei pensando...e relacionei meu blog com outras coisas que eu gostava e me senti obrigada a parar.
E aí conclui algo muito triste: Depois que eu paro, eu me arrependo e tento voltar, mas já é tarde demais porque eu perco o ritmo.
Não quero perder o ritmo. Eu preciso disso, eu preciso colocar aqui os meus pensamentos. Eu sinto muito.
Meu blog é público mesmo. Mas eu insisto na ideia de que as pessoas tem a opção de não vir me visitar.
Outra coisa que eu pensei é uma teoria que o William me disse muitas vezes: "Ao escolher uma coisa, você pode estar deixando de escolher outra".
Verdade. Doía muito quando eu escutava essa frase. Porque eu eu nunca quis deixar de escolher alguma coisa importante.
Mas a vida nos obriga a eleger prioridades. E ao escolher uma prioridade, aquela outra coisa deixa de ser prioridade.
A dinâmica é simples. Já foi mais doloroso. Mas hoje entendo que sempre dá pra escolher. E escolher nem sempre é ruim.
Mas no fundo, nós temos que bancar as nossas escolhas. Agora eu penso antes de escolher, por sinal.
Lembrando disso, pensei que sempre me deparo com duas escolhas: Prefiro que doa em mim ou prefiro que doa no outro?
E eu sempre me escolho pra sentir a dor.
Eu sempre prefiro que doa em mim, mesmo que eu não concorde com a dor do outro.
As pessoas tem algumas dores e algumas vezes, acho que essas dores poderiam ser resolvidas mesmo que essas pessoas não façam nada por si mesmas.
Mas eu não sou ninguém para julgar a dor dos outros. No entanto, muitas vezes a dor dos outros acaba doendo em mim.
Mesmo que eu rafaça as minhas escolhas todos os dias de modo que eu não sinta tanta dor de mim mesma.
No final das contas, eu penso "tudo bem, está doendo, mas eu consigo aguentar mais essa".
É bem verdade essa história das cicatrizes que as vezes escrevo aqui. Eu tenho muitas, algumas físicas, mas muito mais psicológicas.
Uma a mais, não vai estragar meu corpo nem a minha cabeça.
Por isso eu prefiro que doa em mim. Porque não vai fazer muita diferença.
Acho que não fazer muita diferença mesmo que seja algo que faria toda a diferença, é bem triste.
Mas novamente, digo que nós temos sempre opções e escolhas.
E todos nós podemos escolher fazermos alguma diferença.
Meu blog continua aqui, mas evidentemente, eu parei de escrever. Eu parei porque estava me sentindo muito incomodada com algumas coisas.
Havia alguns assuntos da qual eu não podia falar e são estes assuntos, a qual tenho mais coisas para dizer.
Eu escrevo porque os meus pensamentos, muitas vezes não cabem em mim. E eu escrevo neste blog porque pessoas muito queridas frequentam.
Mas é público, verdade. Por isso, muitas vezes repenso sobre continuar escrevendo ou não. O suporte que eu uso (blog) interfere muito na minha escrita.
Se eu parar de escrever aqui, automaticamente, vou parar de escrever. Há algum tempo fiz um diário e parei de escrever nele também.
Mas hoje eu fiquei pensando...e relacionei meu blog com outras coisas que eu gostava e me senti obrigada a parar.
E aí conclui algo muito triste: Depois que eu paro, eu me arrependo e tento voltar, mas já é tarde demais porque eu perco o ritmo.
Não quero perder o ritmo. Eu preciso disso, eu preciso colocar aqui os meus pensamentos. Eu sinto muito.
Meu blog é público mesmo. Mas eu insisto na ideia de que as pessoas tem a opção de não vir me visitar.
Outra coisa que eu pensei é uma teoria que o William me disse muitas vezes: "Ao escolher uma coisa, você pode estar deixando de escolher outra".
Verdade. Doía muito quando eu escutava essa frase. Porque eu eu nunca quis deixar de escolher alguma coisa importante.
Mas a vida nos obriga a eleger prioridades. E ao escolher uma prioridade, aquela outra coisa deixa de ser prioridade.
A dinâmica é simples. Já foi mais doloroso. Mas hoje entendo que sempre dá pra escolher. E escolher nem sempre é ruim.
Mas no fundo, nós temos que bancar as nossas escolhas. Agora eu penso antes de escolher, por sinal.
Lembrando disso, pensei que sempre me deparo com duas escolhas: Prefiro que doa em mim ou prefiro que doa no outro?
E eu sempre me escolho pra sentir a dor.
Eu sempre prefiro que doa em mim, mesmo que eu não concorde com a dor do outro.
As pessoas tem algumas dores e algumas vezes, acho que essas dores poderiam ser resolvidas mesmo que essas pessoas não façam nada por si mesmas.
Mas eu não sou ninguém para julgar a dor dos outros. No entanto, muitas vezes a dor dos outros acaba doendo em mim.
Mesmo que eu rafaça as minhas escolhas todos os dias de modo que eu não sinta tanta dor de mim mesma.
No final das contas, eu penso "tudo bem, está doendo, mas eu consigo aguentar mais essa".
É bem verdade essa história das cicatrizes que as vezes escrevo aqui. Eu tenho muitas, algumas físicas, mas muito mais psicológicas.
Uma a mais, não vai estragar meu corpo nem a minha cabeça.
Por isso eu prefiro que doa em mim. Porque não vai fazer muita diferença.
Acho que não fazer muita diferença mesmo que seja algo que faria toda a diferença, é bem triste.
Mas novamente, digo que nós temos sempre opções e escolhas.
E todos nós podemos escolher fazermos alguma diferença.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Ponte do Limão.
Tava quase pulando, quando ela apareceu e disse oi. Olhou-me de cima a baixo e disse:
- Se eu fosse tu, eu não pulava.
Olhei de cima abaixo também, para ela.
- Se eu fosse tu, eu também não pulava, eu ia ali na esquina e descolava uma grana com esse corpinho.
Tirou um cigarro da mochila, acendeu, soltou a fumaça e olhou-me.
- Aposto que você não quis dizer isso. Aposto que tu só ta tentando manter a fama de ranzinza.
Mas você nem me conhece - eu disse - não sabe se tenho fama de ranzinza.
Ela disse: É ? - e já emendou com um: Mas você tem cara de quem faz essas coisas.
Fiquei em silêncio. Era o fim, não havia mais nada, não havia sequer algo para dizer.
- Se você não pular, divido com você o pedaço de pizza de calabresa que tenho numa tigela aqui na minha mochila....
Não lembro qual foi a ultima vez que uma garota me ofereceu um pedaço de pizza.
Sabe quando um rosto novo anuncia algo de bom que poderia acontecer?
Naquele dia eu resolvi não pular.
- Se eu fosse tu, eu não pulava.
Olhei de cima abaixo também, para ela.
- Se eu fosse tu, eu também não pulava, eu ia ali na esquina e descolava uma grana com esse corpinho.
Tirou um cigarro da mochila, acendeu, soltou a fumaça e olhou-me.
- Aposto que você não quis dizer isso. Aposto que tu só ta tentando manter a fama de ranzinza.
Mas você nem me conhece - eu disse - não sabe se tenho fama de ranzinza.
Ela disse: É ? - e já emendou com um: Mas você tem cara de quem faz essas coisas.
Fiquei em silêncio. Era o fim, não havia mais nada, não havia sequer algo para dizer.
- Se você não pular, divido com você o pedaço de pizza de calabresa que tenho numa tigela aqui na minha mochila....
Não lembro qual foi a ultima vez que uma garota me ofereceu um pedaço de pizza.
Sabe quando um rosto novo anuncia algo de bom que poderia acontecer?
Naquele dia eu resolvi não pular.
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